terça-feira, 2 de novembro de 2010

Top 5

Se eu vou para a República Tcheca, inevitável uma análise das tchecas. Segue aqui um singelo top 5:

- Tcheca 5: a recepcionista loira do albergue, talvez aqui uma nota 6.5, ganhando um ponto quando em contraste com o novo mundo. Nariz fino, pequeno, e bem detalhado como o de todas as raparigas por aqui. Compensa o inglês precário com uma voz sussurrante. Olhos azuis e redondos.

- Tcheca 4: eu e ela tivemos uma péssimo começo e um final cordial. No momento do péssimo começo pensei que ela não fosse mais do que uma emo local. Um corte de cabelo bem rock, com uma pequena franja caindo sobre os olhos. Os cabelos, embora curtos, estavam presos por um elástico o que deixava à mostra o início da nuca. Olhos verdes e algumas marcas de espinha no rosto, porque a tristeza e a impotência da juventude também deixam cicatrizes. Eu a encontrei no trem que ia de Kutná Hora (pequena cidade a uma hora de Praga) até a capital. O trem estava lotado e não havia locais vagos nas cabines, com exceção do assento ao lado dela, ocupado por uma mochila e um estojo de violino. Quando perguntei se podia sentar, ela girou os olhos em sinal de protesto e desprezo e, com movimentos lerdos, desocupou o acento. Então passou a ler um livro, rindo doce e misteriosamente durante alguns trechos. Perguntei então se ela queria que eu guardasse as suas coisas no compartimento de bagagens de mão, ela murmurou algo em tcheco, agora mais calma, e então murmurei "too heavy?", com o que ela concordou com um sorriso. Perguntei se ela queria, então, que eu colocassse o seu estojo de violino lá em cima, mas também não colou. E ela voltou para a sua leitura, para os seus risos doces e enigmáticos, para o calma e trágico e inevitável fluxo de existência que se diluía no lusco-fusco de um entardecer de domingo, com o ar frio pontuando, com os seus dedos metálicos, cada átomo da tristeza da hora. E eu desci em Praga. E ela seguiu.

- Tcheca 3: rosto branco e corado pelo ar frio, ela tricotava ao lado de uma barraquinha que vendia souvenirs dentro de um templo judeu. Era, naturalmente, uma judia, com os seus cabelos de um negror impecável e de uma lisura maculada por ondas esparsas. Usava um gorro e parecia ter o espírito voltado para as profundas e insondáveis coisas do espírito, alheia aos turistas, às sua vozes, e à vida que se esbatia procurando um significado maior diante do túmulo de alguém morto no ano de 1.600.

- Tcheca 2: como a tcheca 3, também rosto branco e corado pelo ar frio. Também com um gorro. Como a tcheca 4, toda vestida de negro. Como a tcheca 5, nariz fino e pequeno. Mas sorridente como nenhuma delas, atenciosa também, enfim, foi ela que ensinou como entender o painel de informações da estação de trem de Praga. Como disse a minha amiga, é a única tcheca que nós vimos que parece bem comida. O que lançou uma ponta de inveja em meu coração, apenas o suficiente para não dar a ela o número 1.

- Tcheca 1: eu a vi na primeira noite, num pub que tocava música indie. Pois sim, os tchecos também gostam de New Order e Iggy Pop, e ela dançava, e ela parecia ter 18 anos, e o seu nariz tinha mais significado imediato do que qualquer túmulo de um anônimo no ano de 1.600, mais simetria do que qualquer catedral. Olhos de um verde quase violeta, boca de traços também finos, claros, sem nenhuma distorção. Um vestido com motivos florais. Cabelos mais castanhos do que loiros mas que, dependendo da iluminação, ardia como um impossível trigal. 

2 comentários:

  1. E eu q achei q vc ia se concentrar nas belezas arquitetônicas do lugar.
    Bom saber de vc, já tava ficando preocupada.
    Beijão
    Marise

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  2. o nariz de uma tcheca é uma beleza arquitetônica.

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